PERSONAL: MY BODY (no secrets)

PERSONAL POST. A pressão dos ideais de beleza impostos pela sociedade, a saúde, os complexos, a busca constante da perfeição, o auto-estima, a depressão, o peso ideal aos olhos dos outros, e sobretudo a curiosidade de muitos dos meus leitores acerca do meu "segredo" para manter o peso, estão hoje em destaque neste post. 
No último ano e meio (mais coisa menos coisa) muitas de vocês me têm questionado como faço, ou que segredo tenho, para comer de tudo e manter uma boa aparência física. Nestes 5 anos de blog já me viram a partilhar pequenos posts sobre o meu peso na gravidez, já leram com certeza também de que não me coíbo de comer o que gosto, e que ginásio foi algo que nunca frequentei. E agora chegam aquelas dúvidas, que teimam em pairar na cabeça e que quase quase podiam afirmar de pés juntos que das duas uma... ou sou uma sortuda e tenho realmente um metabolismo especial que me impede de me tornar numa obesa crónica ou então estou com um IMC que por obra do espirito santo se encontra bem disfarçado, assim como, as diabetes, ou o sangue gordo. 

Antes de avançar, prefiro regressar à minha infância. Nos primeiros anos era uma "gorduchinha", de bochechas fofas, que toda a gente adorava apertar. Depois fui emagrecendo naturalmente com o passar dos anos, e passei a ser uma miúda magra mas nunca com o peso abaixo do normal para a idade/altura. No entanto, mesmo nessa idade, e já na entrada da adolescência nunca tive uma barriga completamente lisa, daquelas que mesmo em posições sentadas não fazem uma pequena dobrinha. Pois, a minha fazia e sempre fez. Aos 15/16 anos adorava usar tops que deixavam o umbigo visível, nessa altura, tinha aquele que considerava dos umbigos mais bonitos. E foi nessa altura também que chegou em força a tendência da calça de cintura descida, o que me levou a usar e a abusar do modelo durante cerca de 2 anos. Um erro absoluto. Roupas inadequadas deformam o corpo, já todo o mundo deve saber! Se repararem bem, muitas das mulheres magrinhas, ficaram ou têm vindo a ficar com menos cintura, e uma das causas pode realmente ser do tipo de roupa que se usa, tais como calças demasiado apertadas, de cós baixo, que criam uma segunda cintura, na altura dos quadris, o que faz com que a gordura normal do corpo seja dividida. Isto acontece mesmo! No meu caso não foi nada que não pudesse ser tratado com exercícios localizados e com o desuso de tais modelos de calças. Portanto, nessa idade tinha um bom auto estima, e sonhava (penso que naquela altura sonhar é a palavra correta) ser modelo fotográfico, porque manequim estava fora de questão, visto que nem toda a gente tem a mesma sorte que a Kate Moss. Sim, somos exatamente da mesma altura. E agora, vocês questionam-se, onde é que entram os temas que apresentei inicialmente. Muito bem, entram a partir do momento em que engravidei. 

Com 17 anos, achei por bem adiar os meus sonhos e seguir em frente com a gravidez. Inicialmente tentei que não se notasse de imediato, mas o meu apetite, o peito que de dia para dia se tornava maior, e o peso que aumentava drasticamente, não me permitiram mais "disfarces". Ok pessoal, vamos admitir que se recuarmos 10 anos no tempo, e não estando a viver numa grande cidade, engravidar aos 17 anos é motivo de conversa. Em frente! 32kg. Este foi o peso que ganhei até ao final da gravidez. E agora pensem, para uma miúda que pesava 54kg, este aumento não foi fácil. Mas o difícil mesmo foi quando uma semana após o parto entrei em "paranóia" e diariamente experimentava as minha calças e saias mas... sem sucesso. A meio da coxa não havia peça que subisse para cima. Era verão, e o meu apetite nessa estação é bem inferior (o que acredito que me tenha safado imenso na perda de peso) e o meu corpo só pedia, como ainda hoje acontece, saladas, massas frias, queijos, iogurtes e fruta, muita fruta. Entretanto já tinha 18 anos e, quando um dia decido olhar-me realmente ao espelho, sem pressas e na totalidade surgiu o choque. O choque de uma rapariga com sonhos que em poucos meses, viu tais sonhos a voarem das mãos. Não porque era mãe, mas porque de um momento para o outro, aquele corpo elegante que me permitia usar tops e andar sem sutiã completamente tranquila e confiante tinha simplesmente desaparecido, para dar lugar a um corpo com estrias (muitas estrias), das quais muitas delas eram realmente marcantes. E o meu umbigo, aquele que tanto gostava, tinha sido tão mas tão esticado que, naquela altura era apenas um ponto na minha barriga flácida. 

Relembro que, tinha 18 anos e um mundo de sonhos. Chegaram os complexos, a insegurança, a vergonha de usar determinadas peças e uma batalha psicológica pela frente. E se querem saber, foi nessa fase que descobri a força interior que possuo. Tudo se trata de nos mentalizarmos de algo. E sozinha, aprendi a aceitar-me, aprendi a valorizar o que tinha de melhor, e simplesmente me mentalizei que tinha mudado. A par disso fui emagrecendo naturalmente (valeu-me as caminhadas a que estou habituada a fazer), a falta de apetite referida anteriormente, e uma cinta que usei após parto, que me ajudou bastante a queimar as gordurinhas existentes na barriga. Ah! Sem esquecer alguns abdominais, claro! Com esta experiência numa idade ainda tão jovem obtive um auto-conhecimento, aprendi com a experiência passada em vários níveis, e aprendi a identificar as minhas qualidades, não ficando apenas pelos defeitos. Neste sentido, acabei por não dar a minima hipótese a uma possível depressão. 

Após 4/5 meses perdi o peso ganho na gravidez, e passei a pesar uma média de 58kg (peso considerado ideal para a minha altura), deixei de usar o 34/36, para usar um 38 (e alguns casos o 36), e o meu corpo passou a ser aos meus olhos, mais interessante do que antes. Com a anca mais larga, com mais formas, e a sentir-me muito mais feminina. A conclusão que tiro disto, é que fui uma guerreira quando aprendi a aceitar-me e a valorizar-me. Outras raparigas na minha idade, e até mesmo mulheres mais velhas  teriam enfrentado pequenas ou grandes depressões, e vocês sabem que isto acontece naturalmente. 

Já se passaram quase dez anos e eu continuo a manter o mesmo peso. Existem alturas que perco um ou dois Kilos e noto de imediato, o que me desagrada, confesso. Felizmente nunca tive aquela "panca" ou necessidade de fazer uma dieta.  Respeito toda a gente que as faz, e obviamente que por muitas pessoas, tenho uma admiração gigante, pelo empenho, pelos objetivos, pela saúde, pelo sentir-se melhor. E o sentir-se melhor, será que na maioria dos casos é realmente sentido, é realmente um objetivo próprio ou será apenas uma questão de nos "sentirmos aceites" na sociedade que hoje dita um corpo magro e... sexy?! 
Acho que muitos estão a tapar os olhos mas, com a pressão dos ideais de beleza impostos pelas indústria da moda e da beleza e alimentados e muito pelos mídia, a procura da "perfeição de acordo com os padrões" tornou-se uma obsessão global. E as criticas constantes um abuso. Já ninguém é perfeito. Se para uns uma pessoa que está magra, está doente. Para outros, uma pessoa com formas e mesmo que esteja dentro do peso aconselhável está gorda. 

E se uns não podem abusar no que comem, porque engordam facilmente, os outros aos olhos dos primeiros são uns gulosos e têm de ser criticados de imediato, sem dó nem piedade. E quantas vezes implicam? 

Agora deixem-me que vos diga, e voltando ao ponto inicial, explorado no segundo parágrafo. Meço 1.70cm, peso 57/58kg e tenho um IMC de 20,07. (podem consultar o vosso aqui) Como podem ver estou dentro do peso ideal, uso maioritariamente o tamanho 38, e opto sempre pelo M. Estou bem de saúde, e ao contrário do que muitos de vocês pensam, eu não passa a vida a comer macarons e tartes, e outras coisas mais. A verdade é que não me privo de comer o que gosto, mas a par disso, como também muita fruta (como falei aqui, é a primeira coisa que ingiro de manhã), faço exercícios localizados em casa (embora esteja a planear frequentar um ginásio ainda este ano porque isto de ter quase 28 anos tem muito que se lhe diga e mais exercício não faz mal a ninguém desde que seja com moderação), e caminho muito. Portanto, como podem ver não há segredos. 

Na atualidade o bom senso tem perdido pontos e a pressa exagerada de emagrecer preocupa-me. Mas mais do que isso, preocupam-me muito mais as pessoas que, acham que uma pessoa magra é aquela que tem os ossos bem visíveis nos joelhos, possui braços finos e não tem curvas. Se ser magra é isso, então eu prefiro não o ser. Nada contra quem o é, nada mesmo, mas tal como a sociedade eu tenho os meus ideais. E se a maioria das pessoas se preocupam em emagrecer constantemente eu preocupo-me naturalmente em engordar se sentir que as minhas pernas estão mais magras, o meu rosto mais fino, e blá blá blá. Além disto preocupam-me comentários desnecessários feitos a pessoas que na verdade não têm peso a mais. Esta sociedade assusta-me. Por favor, pensem as vezes necessárias antes de abrirem a boca para dizerem o que não devem. E cuidado sempre como dão as vossas opiniões, e nunca se esqueçam, os ideais são uma treta e não há exatamente um corpo perfeito. Se virem alguém um pouco inchado, não lhe chamem de "gordo", porque não conhecem a causa. Não sabem se essa pessoa terá forças para suportar um comentário do género. Não sabem se não é exatamente isso, um inchaço, uma medicação que fez engordar um pouco, o stress, ou até mesmo se estará grávida. Simplesmente não sabem... Então não julguem, as mentes desta sociedade estão demasiado poluídas. E não se esqueçam, aquilo que fazem a uns, os vossos filhos, pais, amigos, etc, podem estar a passar pelo mesmo no maior silêncio, porque alguém como vocês não se preocupa com o bem estar do próximo. 

Uma coisa eu aprendi ao longo da vida: Nunca julgar ninguém baseado apenas naquilo que os outros nos contam, através de fotografias, e outras coisas mais, de modo algum e em tempo algum. Existe sempre um motivo e uma história. E mesmo que posteriormente tenham conhecimento de causa, apontar o dedo não é o mais correto. Quando não passamos pelas mesmas experiências nunca saberemos qual será a nossa atitude perante elas. 

Quanto a mim... Não tenho nada mais a acrescentar. 


Sorry dear followers, today is only in Portuguese (use the google translate). Thanks! See you tomorrow! 



17 comments:

  1. Obrigada pela partilha! :)

    http://mirihamsblog.blogspot.com

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  2. Damn, e disses-te tudo. Já te disse que para mim és uma guerreira, pelo que vejo na net porque infelizmente nunca te conheci pessoalmente. Não és gorda nenhuma, és "boa" falando bem e depressa, e se te sentes bem contigo propria os outros que vão cá para um sitio que eu cá sei!! És linda, e adoro ler os teus "desabafos" MUAH
    GIVEAWAY ROSEWHOLESALE - WIN 20$
    http://annluckindarkdays.blogspot.pt/

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  3. Acho bem que tenhas explicado o teu percurso e o tenhas usado como testemunho real para chamar a atenção daqueles que fazem esse tipo de comentários como "tás gorda" porque não sabem que efeitos isso terá na pessoa. Se bem que existem formas e formas de se dizerem as coisas e um comentário sobre o peso nem sempre é negativo mesmo que seja para dizer que tá gorda ou que tá esquelética.

    Só queria fazer uma observação em relação ao cálculo do IMC para dizer que ele nada tem que ver com a estética do corpo, apenas são valores padrão para medir a obesidade, ou seja tem que ver com saúde apenas. Digo isto porque, por exemplo, o peso ideal de uma pessoa que mede 1,60m segundo este padrão é de 48kg a 63kg. Ora esteticamente há muita mas muita diferença de uma pessoa de 1,60m com 48kg para uma de 63kg com a mesma altura, digo isto por experiência própria porque tenho essa altura e já cheguei a pesar 63kg e sentia-me bem cheinha! Hoje peso menos 10kg e sinto-me muito melhor sem ser muito magra, no entanto sempre estive no peso ideal segundo os padrões de cálculo do IMC.

    Para finalizar, quero dizer que gostei muito do post Ivânia!

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    1. Olá!

      Sim, concordo totalmente contigo em relação ao IMC. Penso que não me fiz entender bem (efeitos de quem esteve a escrever isto durante horas), mas o que quis dizer com o "como podem ver estou dentro do peso ideal" não é baseado no IMC, mas sim no conjunto todo. Há anos que tanto as balanças farmacêuticas (as que medem e pesam e dão resultados pormenorizados), como o médico familiar me mostram que para a minha altura o peso ideal é dentro dos 58kg.

      E fico realmente satisfeita que tenha gostado! :)

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  4. Bom dia Ivânia e obrigada. São textos destes que gosto de ler, palavras que saem do coração, verdadeiras e sem folhados. Ser mãe aos 17 anos deve ser uma coisa terrivelmente assustadora, eu nessa idade era uma criança e agora, a uns dias de fazer 34 anos, continua a ser uma coisa terrivelmente assustadora :)
    Cada pessoa é diferente e neste mundo há lugar para todos, gordos, magros, feios, bonitos... a beleza vem principalmente de dentro, o "embrulho" pode-se ir moldando. Se fossem todos iguais, esta vida seria um tédio.
    Beijinho

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  5. adorei o texto, uma inspiração

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  6. Acho que o principal é a ideia que transmitiste: sentirmo-nos bem no nosso corpo. Não deixar para trás a importância de uma alimentação cuidada e do exercício e aprender a conviver com um corpo que, correspondendo ou não à nossa ideia de perfeição, é o único que temos. Aceitar o nosso corpo é um processo de aprendizagem, eu não conseguiria explicar melhor que tu esse processo. Parabéns pelo post e pelo exemplo de auto-estima e confiança em ti própria que dás ;)

    estenaoeumbloguedemoda.wordpress.com

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  7. Olá Ivania, adoro textos com alma, que realmente nos fazem refletir o mundo que vivemos. A vida é linda para quem realmente sabe viver. Chega de pensamentos mesquinhos, isto não nos levará a nada. Gostaria mesmo que este texto tocasse realmente as pessoas. E espero, e torço muito para que ele seja lido por muitas pessoas, que não fosse esquecido, porque creio que pode ajudar e ser identificado por muitos. Portanto novamente parabéns, e força para que as maldades não te traga pensamentos ruins. Ah...vou ao Porto no próximo fim de semana se precisar de algo...diga. Bjinhos

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  8. Concordo! há pessoas tão obcecadas com o corpo e nem conseguem gozar a vida, não devemos levar isso tão a sério :)

    http://behindcatiseyes.blogspot.pt/

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  9. 5 estrelas para ti e para o texto Iv!
    Com as minhas clientes (de consultoria de imagem) tento sempre que elas se aceitem, é mesmo o primeiro passo. Como disseste, a sociedade tem ideais para tudo e mais alguma coisa e todos deturpados assim que entram no campo: pessoal. Cada um é como é e tem de fazer e ser como se sente melhor.
    Eu também tenho 1.70m e quando numa altura menos boa da minha vida pesei 65kg sentia-me super magra e nada atraente. O que quero dizer é: duas pessoas (eu e tu!) com a mesma altura, sente-se bem, estão saudáveis e confiantes com cerca de 10kg de diferença!
    Números são números e meus amigos, eu recuso-me a ser definida por um número (seja de peso, de calças, de IMC, de conta bancaria, o que for!!)

    Beijinho enorme Iv e obrigada por nos deixares entrar um bocadinho mais na tua vida ;)***

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  10. É realmente assustadora a forma como a sociedade idealiza padrões de "beleza" que nem reais nem humanos são. Concordo plenamente. Obrigada pela partilha, mais um texto fantástico :) Que sirva de exemplo para muitas pessoas !
    Bjos

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  11. Adorei este post Ivania, boa partilha. O importante e sentirmo nos bem com o nosso corpo e estarmos saudaveis, eu tambem adoro comer, nao me privo de nada , nao vou a nenhum ginasio mas faco imenso atencao com o que como, como imensa fruta, legumes... o que compensa por vezes o meu abuso nos docinhos. hehehe nao vou ao ginasio mas sou activa em casa e adoro caminhar, ir ao parque com a minha filhota que me faz correr, ir a piscina com ela... tenho so 1,60 e peso 55 kilos este inverno engordei um pouco mas pronto agora vem ai o verao e espero recuperar um pouco nao emagrecer mas sim tonificar mais um pouco. :)
    beijinho grande Ivania, adoreio texto, fantastica como sempre.
    http://claudiapersi.blogspot.ca/

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  12. gostei imenso do post! :) Tal como tu, meço 1.70cm, peso 58kg (também uso o 38 e opto o M ahah)

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  13. Hey Iv!
    Bem, já sabia que eras mãe, obviamente, mas este foi, de longe, o post que mais gostei de ler..falo pessoalmente, foi uma boa lição de vida. Tens, sem dúvida alguma, uma força enorme.
    Espero, do fundo do coração, que continues com essa força, que continues este percurso gigante que ainda só agora começou.
    Desejo-te o melhor.
    Beijinhos.
    http://alwayslove-it.blogspot.com

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  14. Obrigada Querida Ivania . Foram palavras inspiradoras. Eu entendi as tuas palavras. Sou um caso vivo em que engordei devido a medicação e a uma operação. E custa ouvir alguém dizer que estou mais gordinha, passei dos 50 kilos para os 60. Porque mesmo eu tendo uma alimentação bastante saudável o corpo não voltou ao normal. Por isso quando leio pessoas te chamando de gorda, não consigo entender, porque tu não és gorda, estás muito bem.
    Beijinhos e obrigada.
    Priscila

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  15. Que texto lindo e inspirador Ivania <3 Obrigada por teres aberto este bocadinho de ti para nós. És sem dúvida uma guerreira cheia de força e espero que alcances tudo aquilo a que aspiras na tua vida. E olha, estava mesmo a precisar de ler algo assim, acho que estava num dia "não". Obrigada, mais uma vez*

    Beijinhos :)

    http://maisumblogdegaja.blogspot.fr/

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  16. it's really nice post!
    www.mrsnoone.it
    kiss

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